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Autor Tópico: Vários aspectos da PIRATARIA  (Lida 478 vezes)

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Offline bafamed

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Vários aspectos da PIRATARIA
« em: 30 de Janeiro de 2010 às 03:01:47 »
Caros senhores,
Desde já fico feliz por participar, encontrei no Google este site, muito bonito e bem estruturado, é bom ver que o Movimento é um partido bem organizado.
Foi uma boa surpresa.

O meu tópico poderá ser longo, mas irei abordar aspectos importantes.

Sou webmaster há mais de dez anos, já fiz milhares de downloads, também tenho sites e blogs.
Também já trabalhei em rádio (como dj) e já editei livros.
Portanto tenho alguns conhecimentos acerca da pirataria, downloads ilegais, editoras etc.
Não irei revelar a minha identidade, por questões de privacidade ou para evitar problemas.

--Downloads não prejudicam quase nada as editoras e a  prova disso é : Os cds continuam nos top de vendas e alguns chegam a disco de platina. Por exemplo cd’s dos «Morangos com Açúcar» chegaram a disco de platina e as vendas não eram prejudicadas, apesar de haver downloads desses cd’s na Web, ou venda desses cds pirateados nas feiras.
--Por vezes as editoras (de música, ou de livros) é que enganam autores e roubam ideias, textos, ou então se publicarem os livros e cd’s, podem não pagar as comissões todas aos autores etc.
Ocorrem vários casos assim.

--Fazer downloads de cd’s ou ebooks na Web, não deveria ser considerado ilegal.
Reparem, quando vamos a uma biblioteca alugar um livro, estamos a alugar o livro de borla, em vez de comprar numa loja. Isso não é considerado “ilegal” porquê? Não prejudica as editoras? As pessoas em vez de comprar livros podem alugar de graça em bibliotecas, e isso não é considerado “ilegal”.. Porém, se o internauta faz download dum ebook na net, já é “ilegal” ..?  A lei está errada.

Aliás a lei gosta de punir os internautas que façam downloads, mas não prendem nem castigam os verdadeiros piratas da Somália que invadem barcos e fazem reféns..
Interessante ironia.

Antigamente podíamos ouvir músicas na rádio e gravá-las em cassete. Não era considerado ilegal.
Mas hoje se gravarmos mp3 da net, em cd virgem, somos considerados “piratas”, porquê?
O método é o mesmo, gravar algo para ouvir mais tarde, a única coisa que muda é o formato do áudio, agora é formato digital em mp3.


-As pessoas criticam quem compre dvd’s de filmes piratas na feira..
Mas , a mim já aconteceu alugar dvd’s num videoclube, pagar 3 euros, e a porcaria dos dvd’s têm “dedadas” ou riscos, e não consegui ver os filmes até ao fim!
Ao passo que, se comprar dvd na feira, esses discos são novos, sem dedadas e sem riscos, e posso ver os filmes em condições.

Outra coisa:
Se a venda de dvd’s piratas prejudicasse as produtoras de filmes americanas, elas já tinham ido à falência.
Mas ocorre precisamente o oposto.
Cada vez estreiam mais filmes por mês, e facturam milhões de dólares em bilheteiras.

Cada vez há mais evidências de que, a pirataria não é tão obscura quanto os políticos tentam fazer parecer.


Outra coisa que ocorre neste País :
Operadoras de Internet móvel (como a tmn, Optimus e Vodafone), têm pacotes com happy hour,
Mas depois chulam dinheiro aos internautas se eles fazem demasiados downloads , argumentam que o usuário “passou dos limites do razoável”, e espetam-lhes facturas de 160 ou 200 euros para pagar!
Porque é que é “ilegal” fazer downloads? Se pagamos 39 ou 40 euros pela net, temos direito a fazer downloads, aliás as operadoras publicitam “tráfego ilimitado”, “downloads ilimitados”, para quê?
As lojas vendem cd-rom virgens para quê?
As lojas vendem leitores de mp3 para quê?

As empresas podem andar a publicitar lojas online de mp3 legais, em que o internauta paga 1 dólar por cada mp3 que comprar.
Muitas dessas lojas online são fraudulentas, porque o internauta paga pelas mp3, mas esses  ficheiros mp3 têm um código que inibe a gravação em cds, por exemplo (só permite transferir para um leitor mp3).
E essas lojas online não têm todos os estilos musicais, só têm os géneros mais famosos.
Quem quiser musicas de estilos alterantivos, ou trance ou tecno, não encontrará tudo nessas online shops, e faz o quê?
Por exemplo eu gosto de bom trance, e não encontro cd’s de jeito em lojas de Portugal, nem em sites online.
A única solução é ir procurando os mp3 em fóruns.

abraço

Offline migg

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Re: Vários aspectos da PIRATARIA
« Responder #1 em: 31 de Janeiro de 2010 às 14:01:30 »
Gostei de ler...
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Reparem, quando vamos a uma biblioteca alugar um livro, estamos a alugar o livro de borla, em vez de comprar numa loja. Isso não é considerado “ilegal” porquê? Não prejudica as editoras? As pessoas em vez de comprar livros podem alugar de graça em bibliotecas, e isso não é considerado “ilegal”.. Porém, se o internauta faz download dum ebook na net, já é “ilegal” ..?  A lei está errada.
Nunca tinha pensado nisso...

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-As pessoas criticam quem compre dvd’s de filmes piratas na feira..
Mas , a mim já aconteceu alugar dvd’s num videoclube, pagar 3 euros, e a porcaria dos dvd’s têm “dedadas” ou riscos, e não consegui ver os filmes até ao fim!
Já me aconteceu... Nem tenho palavras para descrever! Pagar para nada.



 

Offline Darthx

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Re: Vários aspectos da PIRATARIA
« Responder #2 em: 31 de Janeiro de 2010 às 15:01:33 »
Este tópico é interessante, extenso e aberto! Pena não ter de momento mais tempo livre para discutir mais, por isso vou ser breve nas respostas.

--Downloads não prejudicam quase nada as editoras e a  prova disso é : Os cds continuam nos top de vendas e alguns chegam a disco de platina. Por exemplo cd’s dos «Morangos com Açúcar» chegaram a disco de platina e as vendas não eram prejudicadas, apesar de haver downloads desses cd’s na Web, ou venda desses cds pirateados nas feiras.
--Por vezes as editoras (de música, ou de livros) é que enganam autores e roubam ideias, textos, ou então se publicarem os livros e cd’s, podem não pagar as comissões todas aos autores etc.
Ocorrem vários casos assim.

--Fazer downloads de cd’s ou ebooks na Web, não deveria ser considerado ilegal.
Reparem, quando vamos a uma biblioteca alugar um livro, estamos a alugar o livro de borla, em vez de comprar numa loja. Isso não é considerado “ilegal” porquê? Não prejudica as editoras? As pessoas em vez de comprar livros podem alugar de graça em bibliotecas, e isso não é considerado “ilegal”.. Porém, se o internauta faz download dum ebook na net, já é “ilegal” ..?  A lei está errada.


Aliás a lei gosta de punir os internautas que façam downloads, mas não prendem nem castigam os verdadeiros piratas da Somália que invadem barcos e fazem reféns..
Interessante ironia.

Felizmente, não temos a muito disso no mar.


Antigamente podíamos ouvir músicas na rádio e gravá-las em cassete. Não era considerado ilegal.

Dizia o meu pai no outro dia: antigamente as tecnologias como Internet, cd (nem existia dvd) não estavam muito desenvolvidas, sendo a cassete e o vinil os suportes de armazenamento disponíveis.
Eram poucos os que tinham recursos para comprar cassetes, e na altura o conteúdo de uma cassete não chegaria ao mesmo numero de pessoas que chega pela Internet.
A ilegalidade em si começou quando esta partilha se massificou e as grandes empresas começaram a ver uma enorme partilha de musicas sem estarem a lucrar com tal.

Mas hoje se gravarmos mp3 da net, em cd virgem, somos considerados “piratas”, porquê?
O método é o mesmo, gravar algo para ouvir mais tarde, a única coisa que muda é o formato do áudio, agora é formato digital em mp3.

Nem precisas de gravar em cd ou dvd. Mas um aspecto que ninguém refere é que já se paga uma taxa nesses suportes digitais para "contrariar" o efeito da pirataria. Pena esse dinheiro nunca chegar aos autores e ficar sempre "pelo caminho".

-As pessoas criticam quem compre dvd’s de filmes piratas na feira..
Mas , a mim já aconteceu alugar dvd’s num videoclube, pagar 3 euros, e a porcaria dos dvd’s têm “dedadas” ou riscos, e não consegui ver os filmes até ao fim!
Ao passo que, se comprar dvd na feira, esses discos são novos, sem dedadas e sem riscos, e posso ver os filmes em condições.

Em parte é verdade, mas eu próprio condeno quem esteja a vender esses mesmos dvds na feira, onde uma pessoa está a comercializar ilegalmente os trabalhos ou obras dos outros.
Se comprares um dvd na feira e este ou o conteúdo vierem em más condições, simplesmente terás que "engolir" o que compraste, enquanto que num videoclube tens o direito de voltar la e reclamar das condições do mesmo, senão deixar uma reclamação no livrinho vermelho que esterá la pendurado algures (podem pensar que não, mas essas reclamações podem dar muitas dores de cabeça).

Outra coisa:
Se a venda de dvd’s piratas prejudicasse as produtoras de filmes americanas, elas já tinham ido à falência.
Mas ocorre precisamente o oposto.
Cada vez estreiam mais filmes por mês, e facturam milhões de dólares em bilheteiras.

Digam o que disserem, ir ver um filme ao cinema não se compara ao vê-lo em casa. É totalmente diferente, e como eu, muitas mais pessoas vão ver os filmes ao cinema quando estes estreiam. Claro que ha situações indesejaveis como o barulho da audiencia em redor (comer pipocas, miúdos, telemoveis, tossir, etc) mas mesmo assim acho que vale a pena.

Logo se o filme for bom, o pessoal acaba por ir ver ao cinema e estes continuam a facturar. Agora não concordo com o preço das releases para dvd que lançam mais tarde, que muita das vezes não vale o preço. E para os que afirmam que isso se deve ao custo de produção do filme, do dvd, da arte: irra, anunciam lucros "fabulásticos" quando os filmes estão ainda a estrear no cinema, e meses depois da saída dos dvds, acabamos por encontra-los a 1/3 do preço. Se conseguem fazer esse preço nessa altura, quanto estariam a ganhar aquando da release?!?!

Cada vez há mais evidências de que, a pirataria não é tão obscura quanto os políticos tentam fazer parecer.

Depende da pirataria que estejas a falar :P , mas na verdade ambas são assuntos para serem tratados à semelhança dos demais.

Outra coisa que ocorre neste País :
Operadoras de Internet móvel (como a tmn, Optimus e Vodafone), têm pacotes com happy hour,
Mas depois chulam dinheiro aos internautas se eles fazem demasiados downloads , argumentam que o usuário “passou dos limites do razoável”, e espetam-lhes facturas de 160 ou 200 euros para pagar!
Porque é que é “ilegal” fazer downloads? Se pagamos 39 ou 40 euros pela net, temos direito a fazer downloads, aliás as operadoras publicitam “tráfego ilimitado”, “downloads ilimitados”, para quê?

Nunca mais entra em vigor uma lei para sancionar os mais variados tipos de falsas publicidades.
No caso dos downloads, acabamos sempre por encontrar nos contratos dos serviços dos ISPs, que o tráfego é ilimitado dentro dos limites do razoável para um consumidor, normalmente estipulando logo de seguida um limite como 250GB, acabando por ser um tráfego ilimitado limitado a esse tráfego.

EDIT: http://forum.zwame.pt/showthread.php?t=466193

« Última modificação: 31 de Janeiro de 2010 às 16:01:47 por Darthx »
AKA JGomes

Offline bafamed

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Re: Vários aspectos da PIRATARIA
« Responder #3 em: 04 de Fevereiro de 2010 às 19:02:26 »
Obrigado pelas respostas  :D

Olhem, há vários "incentivos" ao download.

Há ISP a atrair os clientes com "downloads ilimitados".

há cada vez discos externos com maior capacidade (1,5 terabytes, por exemplo).

Há cada vez mais sites de discos virtuais, onde podemos alojar até 50 gb de ficheiros (ou mais).


--Quanto a ver filmes no cinema, muitas vezes os cinemas também nos enganam "cortam" partes do filme.
dá um intervalo, e quando regressamos do intervalo o filme começa a dar numa parte da acção mais à frente.
se formos ver esse filme em dvd, em casa, reparamos «ahhh, os gajos no cinema cortaram algumas partes).



--Ja me aconteceu comprar softwares na net, a 39 dólares, e não funcionarem bem, depois tentei pedir o dinheiro de volta (refund) e nao me deram.
então depois fui sacar programas alternativos, da net, com crack, e funcionaram bem  :D

--Há quem argumente que a pirataria financia o crime e terrorismo, isso dá-me vontade de rir ;D

os terroristas em vez de ganharem 1 euro com cada dvd,
preferem ganhar milhares de euros a traficar armas e pessoas.
aliás, eles já têm empresas legalizadas e cotadas na BOLSA, para fabricar medicamentos genéricos e os medicamentos rendem mais $$ que a droga.


piratas somalis, escapam sempre imunes e ate lucram milhões, com resgates

http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u680660.shtml

Offline abda

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Re: Vários aspectos da PIRATARIA
« Responder #4 em: 01 de Maio de 2010 às 00:05:28 »
Boas.

Concordo inteiramente com esta descrição elaborada.

Agora algumas bandas começaram a publicar nos seus sites, as suas musicas para download, e quem quiser pode doar um x, ou então não. As bandas que fazem isto têm tido muito mais lucro, do que contratar uma editora, e por as suas musicas em cd para venda. As pessoas que fazem doenloads têm a noção que fazem e quanto mais dificultam menor serão os lucros para as empresas. Pois pensam que ao acabar com a "pirataria" vão conseguir muito mais lucro e isso não vai acontecer. Por exemplo eu, costumo fazer alguns downloads, mas não necessito disto para viver, posso passar bem sem filmes, musicas, entre outros... Eu penso que a pirataria por vezes faz com que o lucro das empresas aumente pois, uma pessoa saca um filme, gosta, e por vezes quer vê-lo ao cinema ou então indica a amigos que poderão comprar.

Nós temos que saber partilhar...

Offline Zorro

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Re: Vários aspectos da PIRATARIA
« Responder #5 em: 01 de Maio de 2010 às 02:05:59 »
Infelizmente o que "eles" querem não é acabar com a pirataria, até porque sabem que é impossível. O que "eles" querem é, nesta fase, convencer as pessoas de que a sua luta é justa e legítima. Garantido o apoio popular,  $en$ibilizam o legislador para a necessidade de novas leis, normas, taxas e impostos criados à "sua" medida.

Não será o tópico ideal para este desabafo, mas não gostei da generalidade dos comentários à entrevista da Tek ao PPP. Continuo a achar que o nome "Pirata" tem mais contras do que prós, e é pena, porque o movimento e as ideias são louváveis e poderiam/deveriam colher mais simpatias. E acho sinceramente que o sucesso do movimento vai depender da simpatia que conseguir captar. A verdade é que até eu sou contra a pirataria.

Não é uma crítica, é um desabafo.  :(