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Autor Tópico: Para que formar um partido?  (Lida 570 vezes)

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Offline Miglas

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Para que formar um partido?
« em: 24 de Setembro de 2009 às 21:09:56 »
De forma a prosseguirmos com o a elaboração do manifesto gostava que respondessem :
O que se pretende com a constituição de um partido? Ou seja, quais os fins do PPP enquanto partido?

Relembro que ainda n fui esclarecido destas questões e é importante que a façam: http://partidopirata.co.cc/forum/index.php/topic,528.msg4568.html#msg4568

Desde já obrigado pela vossa participação

Junção de posts: 24 de Setembro de 2009 às 21:09:10
Para quem não saiba quais os fins dos partidos em geral:

Citar
Fins
São fins dos partidos políticos:
a) Contribuir para o esclarecimento plural e para o exercício das liberdades e direitos políticos dos cidadãos;
b) Estudar e debater os problemas da vida política, económica, social e cultural, a nível nacional e internacional;
c) Apresentar programas políticos e preparar programas eleitorais de governo e de administração;
d) Apresentar candidaturas para os órgãos electivos de representação democrática;
e) Fazer a crítica, designadamente de oposição, à actividade
dos órgãos do Estado, das regiões autónomas, das autarquias locais e das organizações internacionais de que Portugal seja parte;
f) Participar no esclarecimento das questões submetidas a referendo nacional, regional ou local;
g) Promover a formação e a preparação política de cidadãos para uma participação directa e activa na vida pública democrática;
h) Em geral, contribuir para a promoção dos direitos e liberdades fundamentais e o desenvolvimento das instituições
democráticas.

« Última modificação: 24 de Setembro de 2009 às 21:09:10 por Miglas »
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Re: Para que formar um partido?
« Responder #1 em: 24 de Setembro de 2009 às 21:09:12 »
Numa perspectiva objectiva: formar partido para ser eleito e mudar leis.

Esta pergunta volta também a uma discussão antiga: o PPP deve concorrer a que eleições? Quais delas é que servem para o PPP defender as suas ideias?

Na minha opinião o mais importante são a europeias, de longe. Com bastante menos importância as legislativas. E quase irrelevantes são a presidência da república e as autárquicas.
Existe ainda outro elemento que pode vir a ser muito importante (talvez mais até que as legislativas): a promoção da realização de referendos.

Existe ainda outro meio de defender as nossas ideias: em vez de mudar leis, mudar a sociedade. Embora esta não deva ser a principal função do partido, não fica mal que o promova.
Apesar de ser uma coisa que eu considero mais importante do que mudar leis,  julgo que, na sua maioria, só pode/deve ser feita pessoalmente, ou por organizações independentes de partidos e do estado.

Offline Miglas

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Re: Para que formar um partido?
« Responder #2 em: 24 de Setembro de 2009 às 21:09:15 »
Concordo contigo.

Menos quanto as eleições presidenciais, porque o PPP nunca vai concorrer a estas (nem o PS, PSD...) porque as presidenciais é com candidatos singulares e para tal devem reunir 7500 assinaturas, agora o PPP pode apoiar um candidato as eleições que pode ser membro ou não do PPP.

Numa conversa no IRC expliquei como funciona o sistema Português, mas nunca é demais voltar a explicar

-Temos um PR eleito da forma que já expliquei

-Temos uma Assembleia da Republica, órgão legislativo por natureza, mas que também tem funções politicas como: aprovar alterações à Constituição, aprovar tratados, propor ao PR referendos, entre outras.

- Depois temos o governo que as pessoas pensam que vamos eleger domingo. ERRADO. O PR nomeia o Primeiro Ministro e este nomeia o restante governo.
É verdade que o PR deve ter em conta os resultados das legislativas mas isso é apenas um critério que este deve seguir (existem outros).

Isto porque quando falava com o thesaint ele perguntou se utopicamente chegarmos ao governo o que fazíamos. Ora na minha opinião o PPP que se baterá por áreas tão especificas não  pode ambicionar governar os portugueses. O governo tem um poder executivo e muito muito muito diminutivo poder legislativo (quase nenhum).  Na minha opinião o PPP deve no seu manifesto comprometer-se a não governar os portugueses, deve-se apenas comprometer-se a legislar e fiscalizar aquelas áreas por qual se bate. E caso o partido quebra-se esse compromisso implicaria a dissolução dos órgãos responsáveis por tal acto.

Perante coisas sérias temos a obrigação de sermos sérios.

« Última modificação: 24 de Setembro de 2009 às 22:09:27 por Miglas »
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Re: Para que formar um partido?
« Responder #3 em: 24 de Setembro de 2009 às 23:09:36 »
Citar
menos quanto as eleições presidenciais, porque o PPP nunca vai concorrer a estas (nem o PS, PSD...)

Na prática, cada partido declara o seu apoio a um dos candidatos, e aí pode-se perguntar: qual a utilidade do PPP apoiar um candidato a presidente? É um objectivo do PPP apoiar Presidentes com determinado perfil?
Resposta: É quase irrelevante.

Citar
Na minha opinião o PPP deve no seu manifesto comprometer-se a não governar os portugueses, deve-se apenas comprometer-se a legislar e fiscalizar aquelas áreas por qual se bate. E caso o partido quebra-se esse compromisso implicaria a dissolução dos órgãos responsáveis por tal acto.

Já tenho dito várias vezes que o principal problema do PPP será legislar sobre outros assuntos que não constem do manifesto e governar. Tendo algumas fragilidades, a tua solução para este problema é a melhor que eu já vi proposta aqui no fórum.

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Re: Para que formar um partido?
« Responder #4 em: 25 de Setembro de 2009 às 00:09:42 »
Já tenho dito várias vezes que o principal problema do PPP será legislar sobre outros assuntos que não constem do manifesto e governar. Tendo algumas fragilidades, a tua solução para este problema é a melhor que eu já vi proposta aqui no fórum.

Eu já sugeri uma outra. Acho que o PPP devia comprometer-se a defender as liberdades pessoais acima de tudo e sendo a liberdade á livre expressão das opiniões politicas uma devia-se deixar ao critério de cada membro a sua opinião sobre essas situações não cobertas pelo manifesto do PPP com a ressalva do partido em si jamais opinar sobre elas.

Eu acredito que o que falta acima de tudo no Parlamento Português são deputados com livre arbítrio para votarem de acordo com as suas convicções e, acima de tudo, para votarem de acordo com aquilo que os cidadãos que os elegeram efectivamente querem (relembro que os candidatos são eleitos por distrito).

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Re: Para que formar um partido?
« Responder #5 em: 25 de Setembro de 2009 às 01:09:40 »
concordo, se um dia tivermos deputados estes devem votar segundo as suas convicções, mas o problema põem-se em legislar, seria correcto  um deputado do PPP propor uma proposta de lei que em nada tivesse a ver com os programas eleitorais do PPP? o que acham?
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Re: Para que formar um partido?
« Responder #6 em: 25 de Setembro de 2009 às 23:09:07 »
penso q até o PPP chegar ao parlamento ainda irá demorar, e até lá irá crescer e desenvolver-se e pode até ocorrer que passemos não só a defender a liberdade na internet mas também outras áreas, o q é normal pois irão aparecer mais areas em comum aos membros do partido assim desde q fosse dentro disso não haveria problema em apresentar propostas.
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Re: Para que formar um partido?
« Responder #7 em: 25 de Setembro de 2009 às 23:09:20 »
Claro que há mais áreas fora da net. Mas n vejo o PPP a defender um sistema económico x e o défice, etc... Há que saber por os pontos nos is. o PPP n será um partido genérico e abstracto metam isso na cabeça.
« Última modificação: 25 de Setembro de 2009 às 23:09:04 por Miglas »
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Re: Para que formar um partido?
« Responder #8 em: 26 de Setembro de 2009 às 15:09:12 »
Claro que há mais áreas fora da net. Mas n vejo o PPP a defender um sistema económico x e o défice, etc... Há que saber por os pontos nos is. o PPP n será um partido genérico e abstracto metam isso na cabeça.

Claro q não será um partido como os outros mas isso não implica restringirmos nos  apenas a net podemos abordar outras areas q envolvam as liberdades. (como por exemplo como ja alguém ai disse apoiar a democracia apoiando referendos e assim)
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Re: Para que formar um partido?
« Responder #9 em: 27 de Setembro de 2009 às 19:09:50 »
Vou meramente citar aqui a solução que o Partido Pirata Sueco atingiu para o mesmo problema que estamos aqui a debater (e da qual eu discordo apesar de compreender a sua utilidade):

Citar
The Pirate Party does not strive to be part of an administration. Our goal is to use a tie breaker position in parliament as leverage, and support an administration that drives the issues in our platform in a satisfactory manner. When they do, we will support that administration on other issues where we choose to not hold opinions of our own.

To unite as a strong movement, we have chosen to not take a stand in any
political issues not connected with the principles declared herein.

Eu compreendo se existir uma generalidade das pessoas a defender também para nós uma solução como esta mas eu pessoalmente acho que o partido deve defender acima de tudo o direito dos seus membros a terem opiniões dispares sobre os vários pontos não cobertos pelo manifesto (aproximando mais os eventuais deputados do PPP dos Senadores e Congressistas americanos em vez de sermos mais um Partido do Táxi).

Offline Miglas

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Re: Para que formar um partido?
« Responder #10 em: 27 de Setembro de 2009 às 21:09:21 »
Eu estou contigo Dextro, mas não sei se um eventual deputado do PPP deve apresentar propostas de lei que nada tenham a ver com o programa do PPP, claro que dependerá da proposta de lei que é apresentada, mas de um ponto de vista geral pode ser uma traição ao eleitorado que o elegeu especificamente para uma determinada missão. Percebem?

Quanto à votação é óbvio que deve ou não votar segundo a sua consciência.
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Re: Para que formar um partido?
« Responder #11 em: 27 de Setembro de 2009 às 22:09:08 »
Eu estou contigo Dextro, mas não sei se um eventual deputado do PPP deve apresentar propostas de lei que nada tenham a ver com o programa do PPP, claro que dependerá da proposta de lei que é apresentada, mas de um ponto de vista geral pode ser uma traição ao eleitorado que o elegeu especificamente para uma determinada missão. Percebem?

Quanto à votação é óbvio que deve ou não votar segundo a sua consciência.

Sim, mas eu relembro que as pessoas nas legislativas elegem deputados directamente... É uma pena que mais pessoas não se lembrem deste facto, se os deputados votassem mais de acordo com os seus valores tinhamos um interesse bem diferente do eleitorado.

Anyway eu acho que seria uma boa ideia fazer como indirectamente sugeres: precaver que qualquer eventual deputado do PPP não apresente quaisquer propostas de lei que não caiba nas matérias do manifesto e/ou na vontade dos membros do partido e respectivo eleitorado.

Offline Miglas

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Re: Para que formar um partido?
« Responder #12 em: 01 de Outubro de 2009 às 03:10:20 »
Esqueci-me de falar do Parlamento Europeu.

É certo que o grosso da nossa legislação são a transposição de directivas comunitárias, as directivas são leis da UE que os Estados são obrigados a transpor para a sua ordem jurídica.

Mas o problema coloca-se nos poderes do Parlamento Europeu, é que ao contrário da nossa Assembleia da República o Parlamento Europeu não tem poderes legislativos, os poderes legislativos são destinados ao Conselho da União Europeia, o Parlamento só legisla no processo de co-decisão, conjuntamente com o Conselho pode legislar nas seguintes áreas:
Citar
livre circulação de trabalhadores, direito de estabelecimento, serviços, mercado interno, educação (acções de incentivo), saúde (acções de incentivo), consumidores, redes transeuropeias (orientações), ambiente (programa de acção de carácter geral), cultura (acções de incentivo) e investigação (programa-quadro).

O processo de co-decisão é a colaboração entre o Conselho e o Parlamento mas o Conselho delibera por maioria qualificada. Isto à luz do tratado de Nice, porque com o tratado de Lisboa os poderes do Parlamento vão ser mais diminuídos e já ouvi o antigo presidente da UE a dizer que a tendência será de retirar cada vez mais poderes ao PE em virtude da abstenção crescente que se regista.

O parlamento infelizmente é um mero órgão consultivo do conselho :-\.

Na minha opinião o que se passa na UE é gravíssimo , não é a questão de ser contra ou a favor da UE é a atitude que esta tem para com alguns Estados onde se hipoteca a soberania dos Estados e estes aceitam toda a sorte de directivas sem levantar muitas ondas em troca de fundos que são muito mal geridos.

Deveria dar-se poder de negociação aos Estados e mais poderes aos euro-deputados que representam o povo europeu ao contrario do conselho que representa os governos que ao que julgo na maior parte dos estados europeus são nomeados pelo presidente da republica e não eleitos pelo povo.

Será que existe mesmo democracia? Serão os países da união europeia verdadeiramente soberanos?

Sei q isto tudo pode parecer offtopic mas é fundamental, não devemos alimentar muitas esperanças quanto ao Parlamento Europeu se este órgão tem muito pouco poder, imaginem o que pode fazer Christian Engström  lá, quase nada, pode denunciar o que realmente se passa lá para que o povo europeu perceba como o nosso futuro é deliberadamente hipotecado e pressionar os órgãos da UE por enquanto é praticamente impossível visto só ser um mas o movimento pirata pode crescer nesse sentido, mas pressões valem o que valem :-\   
« Última modificação: 01 de Outubro de 2009 às 03:10:51 por Miglas »
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Offline nonnu

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Re: Para que formar um partido?
« Responder #13 em: 04 de Outubro de 2009 às 07:10:38 »
Bem, foram abordados aqui alguns problemas sobre os quais tenho algumas opiniões que passo a expor ( cheira-me que me vou alongar...enfim... ;) )

A que eleições concorrer?

- Autárquicas?

Se houver massa critica e vontade num determinado sitio, porque não?
Provavelmente em coligação no intuito de obter um pelouro na área da tecnologia que permita implementar soluções de software livre na administração local e programas de educação nas áreas da sociedade da informação entre outras medidas similares.
Desse modo, fazemos avançar a consciência dos eleitores e demais políticos no sentido dos nossos ideais.

- Presidenciais?

Como foi dito, é um cargo singular, mas podemos sempre sondar os candidatos propostos e se um deles se identificar com as nossas ideias basilares, acho que podemos participar no seu apoio.
É sempre melhor um PR que torne difícil a passagem de leis que vão contra os nossos ideais do que um que assine logo por baixo.
Não nos devemos abster de um apoio declarado caso haja um candidato que se destaque nesse aspecto. Não é assim tão irrelevante, como se verá a seguir.

- Europeias?

Infelizmente, pelo que percebi do esclarecimento do Miglas, afinal esta acaba por ser a que menos peso tem porque o Conselho é que tem mais poder. E se os conselheiros "na maior parte dos estados europeus são nomeados pelo presidente da republica" (é assim cá também?), então torna-se mais importante apoiar um Presidente com consciência e alinhamento com os nossos ideais do que útil ter lá deputados.
Mas é claro que mais vale ter lá também alguém a poder fazer pouco mas alguma coisa do que ninguém.

- Legislativas?

Em relação às outras, estas acabam por ser as mais importantes, já que é por aí que podemos realmente modificar leis.
Os presidentes acabam por ter de ratificar as leis se elas não forem inconstitucionais e forem reconfirmadas depois de um veto politico.
E as próprias directivas da UE normalmente têm alguma margem de manobra para poderem ser adaptadas às realidades dos diversos países e podemos usar isso de modo a tentar retirar-lhes o potencial nocivo. Também na Matrix da UE as directivas não podem ser "quebradas" mas podem de certo modo ser "vergadas" ;)

- Referendos?

Definitivamente!!! São expressão directa em relação a um assunto especifico e legitimam tomadas de decisão. Contra votos não há argumentos...

- E se formos eleitos com tal sucesso a ponto de sermos convidados ao governo? Devemos governar?

Vi em algumas opiniões que não podemos ambicionar governar os portugueses por termos objectivos muito específicos e até a fazer disso compromisso.
Mas... calma lá, se, e como foi muito bem dito, "perante coisas sérias temos a obrigação de sermos sérios", fazer um compromisso destes, desculpem-me dizê-lo, é um absurdo.
Então se algum dia no futuro os eleitores virem em nós uma saída e nos derem uma maioria absoluta a nossa resposta é, "Ah e tal, não porque não queremos!" ?!?!
Negar as responsabilidades que nos vierem a ser imputadas é que é uma falta de seriedade e razão pela qual iremos de certeza perder muitos apoiantes.
Como é que as pessoas vão votar em alguém que se tiver mais sucesso do que o que está á espera se vai "baldar" à responsabilidade?
Não nos devemos furtar às responsabilidades e sim eventualmente evoluir com elas.

Mas, antes até de governar, como decidir nos tais temas que não são os nossos pontos fulcrais?
Para isso tenho ideias antigas que já tinha pensado para um partido que idealizava na minha cabeça como o Partido Unido, mas que agora me parecem feitas e perfeitas para o PPP.
Como referi na minha apresentação o problema de escolher um partido é ter de levar com todas as suas ideias mesmo que só concordemos com algumas, e não poder fazer um "bufete" de ideias dos vários partidos com as quais concordamos.
Ora nesse aspecto o PPP tem uma base muito reduzida de ideais que deve sempre defender acerrimamente a 100% e com os quais todos os membros devem concordar, mas depois tudo o resto esta indefinido e como tal perfeito para ser aberto a ser um "bufete" da opinião referendada dos membros do Partido.
A minha proposta é que todos possamos ir construindo uma "ementa" de uma forma dinâmica mantendo referendos permanentemente abertos para os temas que formos adicionando a esse "bufete".

Mas quais são as vantagens disto? Porque não ser como o PP Sueco quer ser e simplesmente viabilizar maiorias em que votem favoravelmente os nossos poucos temas e em que votamos tudo o resto alinhados com os parceiros de coligação?
Porque é o primeiro passo para o fim. Ao nos "borrifarmos" para o resto que está para lá dos nosso objectivos essenciais estamos a pedir como "pagamento" desses objectivos "cheques em branco" para tudo o resto, algo que os potenciais apoiantes não darão sem mais nem menos.
Se no entanto, quando nos apresentarmos às eleições, tivermos para alem dos nossos pontos fulcrais, defendidos a 100%, a "ementa" dos sentimentos actuais expressos pelos membros do partido, os apoiantes sabem quais são as nossas inclinações na altura. Se forem membros sabem que a sua opinião contou para essa "ementa", se não forem membros sabem que podem passar a ser e influenciar a mesma.
A dita "ementa" vai com certeza ter temas mais claramente definidos e outros mais divididos, e isso dá-nos também uma ferramenta essencial para votações sobre estes temas na assembleia e principalmente no caso em que somos o membro viabilizador de um coligação.
Qualquer votação em assembleia ou coligação serão sempre claras e transparentes (como queremos a nossa politica) uma vez que teremos uma espécie de ranking de cedências e custos das mesmas no seio de um acordo. Por exemplo
Imaginem-se os temas A, B, C, D, com as seguintes percentagens favoráveis:

A - 100% a favor (por exemplo um dos pontos base que defendemos)
B -   75% a favor e 25% contra
C -   50% a favor e 50% contra
D -   30% a favor e 70% contra

As taxas de esforço diferenciais para ceder nestes casos são de:

C -   0% (50-50), ou seja, tanto faz votar a favor ou contra que metade vai ficar sempre insatisfeita
D - 40% para ser a favor (70-30)
B - 50% para ser contra (75-25)
A - 100% para ser contra... ou seja, esta é impossível de ceder e votaremos sempre a favor

Ao fazermos uma coligação munidos disto e na nossa própria percentagem dentro dessa coligação, estamos a facilitar a negociação sabendo sempre no que podemos ceder mais facilmente sem hipotecar a nossa base de apoio e naquilo em que dificilmente ou nunca cederemos.
Se não houver coligações, podemos sempre votar os temas em assembleia com uma clareza e transparência que nos torna imunes a deturpações ou potenciais corrupções sob o abrigo de alegadas convicções pessoais.
Imaginem para os 4 temas acima, que tínhamos eleito 10 deputados (só para ser redondo). Estes teriam a obrigação de votar da seguinte maneira:

A - 10 deputados a favor
B - 7 deputados a favor, 2 contra, 1 abstenção (por causa do arredondamento)
C - 5 deputados a favor, 5 contra (na prática é uma abstenção mas representativa do sentimento real)
D - 3 deputados a favor, 7 contra

Deste modo tudo seria transparente, todos os membros se sentiriam representados e não haveria margem para desilusões.
.
Como vêem não é tão complicado assim ter opinião formada sobre temas que não são os nossos principais, nem ter como os representar em assembleia ou coligações.
Alem disso, ao invés de perdermos apoiantes por sermos apelidados de "irresponsáveis" em tudo o resto que não se enquadre nas nossas bandeiras, podemos até ganhar apoiantes que se queiram juntar no intuito de influenciar directamente e caso a caso todos os temas do nosso "bufete", construindo a sua própria "ementa", algo que não têm em mais nenhum partido.

Posto isto, então como governar, se chegasse a esse ponto?

Obviamente que o objectivo principal não é governar, mas isso não nos isenta de ter de o fazer se for essa a nossa responsabilidade ou de arranjar para isso também um esquema justo e transparente.
Para este caso ainda ando a matutar, mas a ideia que tenho neste momento (e que tem muito que amadurecer) é baseada na premissa de que nos devemos sempre rodear dos melhores para sermos os melhores.
Como tal os detentores das pastas ministeriais deveriam ser pessoas experientes e competentes nessas áreas e quem mais para saber disso que os próprios profissionais das mesmas.
Neste sentido vejo com bons olhos dar ainda uma maior responsabilidade à sociedade civil convidando para ministros os melhores eleitos pelos seus pares nas várias áreas ministeriais.
Um ministro da educação, ao invés de ser escolhido por uma pessoa poderia ser eleito entre e pelos próprios professores,
Um ministro da saúde, ao invés de ser escolhido por uma pessoa poderia ser eleito entre e pelos profissionais de saúde,
Um ministro da justiça, ao invés de ser escolhido por uma pessoa poderia ser eleito entre e pelos profissionais judiciais...etc...
O primeiro ministro seria provavelmente o único membro do PPP e teria como função básica uma gestão não intrusiva mas assertiva na necessidade de todos remarem em sintonia para levarem o "barco a bom porto" ;)

Obviamente a separação do poder executivo e do legislativo é ponto fulcral, e nunca poderia acontecer a nossa maioria votar propostas governamentais só porque era um governo constituído pelo PPP.
A obrigação está no governo, e nos ministros, de usarem a sua mestria nos seus campos para serem construtivos dentro da linha de pensamento da maioria e não na maioria de se submeter a uma proposta de qualquer ministro baseada na sua própria linha de pensamento pessoal. Se este não se sentir à altura da tarefa também não pode alegar desconhecimento da parte da "ementa" que afecta a sua pasta.

O PPP será o partido que dele quisermos fazer como um todo. Cabe agora decidir se queremos um partido "irresponsável" no que não lhe interessa, ou num partido responsável quando um dia lhe for pedida responsabilidade.

Por mim, sou apologista da grande citação do Stan Lee (pela personagem do tio do Homem Aranha) "Com um grande poder também tem de vir - Grande responsabilidade!"
So long as the people do not care to exercise their freedom, those who wish to tyrannize will do so; for tyrants are active and ardent, and will devote themselves in the name of any number of gods, religious and otherwise, to put shackles upon sleeping men. ~Voltaire

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Re: Para que formar um partido?
« Responder #14 em: 04 de Outubro de 2009 às 12:10:44 »
Meu deus que post enorme:P

1º O conselho europeu é constituído pelos governos dos países da UE.

2º a tua ideia de os profissionais da área escolherem quem é os ministros é um bom principio, mas quem escolhia o ministro dos negócios estrangeiros? da defesa? da cultura? administração interna? agricultura e pesca? ambiente e ordenamento do território? assuntos parlamentares? da economia e inovação? das finanças e administração publica? ministro das obras publicas? ministro do trabalho? O teu principio é inconstitucional e podes ter a certeza que esse capitulo não vai mudar nos próximos 100 anos, diz lá expressamente o presidente escolhe o primeiro ministro e este escolhe os seus ministros é daquelas coisas que não há volta a dar, alterar isto é quase impossível só se Portugal fosse um regime de partido único o que támbem praticamente impossível de acontecer.

Pode-se fazer mudanças à constituição mas não deste calibre a constituição só pode ser revista de 5 em 5 anos, ou mediante uma maioria de quatro quintos, mas nestas revisões não se pode alterar a forma republicana de governo, pode-se é alterar para sistema presidencialista e ai o povo escolhe o seu chefe de governo, mas esta mudança é impossível de se concretizar e da maneira que nós somos ia haver um novo PREC.


Eu agora ando ocupado mas logo à noite já pego no livro de Direito Administrativo e explico aqui o que é o poder executivo do governo

Junção de posts: 04 de Outubro de 2009 às 20:10:50
Ohhh não tenho tempo para grandes textos vou só por isto:

Citar
O Governo tem funções políticas, legislativas e administrativas, isto é, entre outras coisas, negociar com outros Estados ou organizações internacionais, propor leis à Assembleia da República, estudar problemas e decidir sobre eles (normalmente fazendo leis), fazer regulamentos técnicos para que as leis possam ser cumpridas, decidir onde se gasta o dinheiro público, tomar decisões administrativas para o bem comum, de acordo com a lei.

Eu acho que o PPP deve-se limitar só a determinados campos de acção (sejam estes alargados ou não) e assim deviam ser todos os partidos, correntes de pensamento politico que participavam na vida politica de forma muito limitada, para mim é errado um partido governar ou executar leis, quem deve fazer isso são pessoas. Mesmo que o PPP assuma que quer governar os portugueses o PPP nunca vai governar os portugueses ao dizermos que queremos fazer parte do governo estamos a mentir com todos os dentes, e ou estamos a mentir a nós próprios ou estamos a mentir a toda uma nação. Porque em primeiro lugar o PM deve ser independente dos partidos incluindo o seu partido, claro que não o é e nunca será enquanto vivermos numa aparente democracia construída nas estruturas do Salazarismo só o será quando existir uma verdadeira revolução do povo e não juntas de salvação militar para ascender nas carreira e imporem o social-fascismo (socialista nas palavras, fascista nos actos).

 Eu volto a realçar governar para que? Vamos trair a causa pirata e começar a ter programa em tudo e mais alguma coisa, é que este assuntos que o nonnu chama de bufete são a razão para existirem partidos piratas. È na minha opinião uma corrente que irá tornar os partidos o que eles realmente são, correntes de pensamento politico, deixando a condução politica as pessoas independentemente do seu partido ser pela liberalização da partilha os governantes não se podem meter nisso, isso é coisa que diz respeito unicamente a Assembleia da Republica o governo executa tudo tudo que a AR legisla. Se quiserem o governo é o órgão responsável pela burocracia do Estado. Imaginem que um governo é do PPP e a AR é do PS e sai uma lei que manda para a cadeia quem saca musicas, por muito que o PPP discorde disso o PPP enquanto estiver no governo tem que executar essa lei, pois a AR que representa a voz do povo determinou que se seguisse aquele caminho.

Podemos não gostar da forma que o nosso governo é nomeado ou funciona mas isso nós não podemos mudar e dizer que vamos mudar é mentira porque essas mudanças só podem ser feitas mediante uma verdadeira revolução que nunca existiu por cá e também não são os partidos que fazem as revoluções nem são os partidos que orientam a revolução são as pessoas. O PPP meter-se nos caminhos da governação não passa de orientar a burocracia do Estado.

As coisas são assim. O PPP é um conjunto de cidadãos que não concorda com determinados assuntos e quer que estes sejam mudados irá em altura própria defender essas mudanças e caso o povo concorde ira fazer essas mudanças no local próprio.
O PPP também pode ser um  conjunto de cidadãos que acha como deve ser seguido o interesse publico e como se deve concretizar as lei da AR. Qual é o interesse do PPP enquanto aquilo que é andar a meter-se nestes caminhos? Claro que podemos ser como os partidos actuais que se metem em tudo e deixa para segundo lugar a vontade do povo, administrando e legislando consoante a sua doutrina partidária.

Não é porque não nos apetece mas é porque extravasa os fins do partido e não é fugir a nenhuma responsabilidade em lado algum o partido mais votado tem que governar, o PR é que nomeia o Governo, não são os eleitores que o fazem, já aconteceu 2 vezes partidos menos votados formarem governo e parece que o Cavaco queria fazer igual mas saiu-lhe o tiro pela colatra ;).

Quanto à AR as tuas ideias das coligações podem resultar é uma questão de sermos bons negociantes. Mas o problema não é votar que segundo a constituição basta ter 18 anos para o saber fazer, o problema é legislar que aí só devemos legislar segundo o nosso programa (independentemente de este só se limitar as questões da propriedade intelectual ou ter mais áreas de acção) o programa é um compromisso com o eleitorado que já mais deveria poder ser quebrado sob pena de demissão de quem o fizesse.  A AR também fiscaliza a acção do PR e governo e tem poderes de estabelecer alguns acordos internacionais.

O governo tem de ser independente da AR para esta democracia funcionar, por isso é que as maiorias ao contrario do que o PS e PSD pregam não são nada benéficas pois centralizam o poder do Estado durante 4 anos e isso meus amigos nós podemos mudar comprometendo-nos a não fazer parte do órgão meramente administrativo de Portugal. E assim de uma vez por todas cumprir o que já é principio no mundo moderno desde o sec. XVIII a separação de poderes e separar verdadeiramente o poder executivo do legislativo. 
« Última modificação: 05 de Outubro de 2009 às 13:10:57 por Miglas »
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Re: Para que formar um partido?
« Responder #15 em: 17 de Outubro de 2009 às 13:10:16 »
Meu deus que post enorme:P
LOL, pois, por isso até tenho medo de ir ao fórum quando não tenho tempo para responder, ficam-me as ideias a fermentar e depois saem de rajada ;D
Suspeito é que esta resposta ainda seja maior e ninguém vai ter pachorra de ler, enfim... :P

1º O conselho europeu é constituído pelos governos dos países da UE.
Ok, tinha percebido mal a frase, já reli e o que os presidentes nomeiam são os governos que depois sim têm um representante no conselho... check! ;D

2º a tua ideia de os profissionais da área escolherem quem é os ministros é um bom principio, mas quem escolhia o ministro dos negócios estrangeiros? da defesa? da cultura? administração interna? agricultura e pesca? ambiente e ordenamento do território? assuntos parlamentares? da economia e inovação? das finanças e administração publica? ministro das obras publicas? ministro do trabalho?
Sei lá, vou dar uns “tiros” para o ar...
“ministro dos negócios estrangeiros?“ - O melhor diplomata, escolhido entre os seus pares
“da defesa?” - O melhor militar, escolhido entre os seus pares
“da cultura?” - O melhor artista, escolhido entre os seus pares
“administração interna?” - O melhor profissional dos vários ramos abrangidos pelo MAI, escolhido entre os seus pares
“agricultura e pesca?” - O melhor licenciado em agronomia/pescas(?), escolhido entre os seus pares
“ambiente e ordenamento do território?” - Os melhores ambientalista e arquitecto da área do ordenamento do território, escolhidos entre os seus pares
“assuntos parlamentares?” - O melhor deputado, escolhido entre os seus pares
“da economia e inovação?” - Os melhores empresário e cientista, escolhidos entre os seus pares
“das finanças e administração publica?” - Os melhores economista e gestor, escolhidos entre os seus pares
“ministro das obras publicas?” - O melhor engenheiro, escolhido entre os seus pares
“ministro do trabalho?” - O melhor sindicalista, escolhido entre os seus pares

Posso ter dado alguma gafe nas definições de profissões, mas é só uma ideia por alto. Serve? ;)

O teu principio é inconstitucional e podes ter a certeza que esse capitulo não vai mudar nos próximos 100 anos, diz lá expressamente o presidente escolhe o primeiro ministro e este escolhe os seus ministros é daquelas coisas que não há volta a dar, alterar isto é quase impossível só se Portugal fosse um regime de partido único o que támbem praticamente impossível de acontecer.
Bem, aqui vou ter de discordar completamente de ti sobre o facto de isto não puder ser feito...
Repara, a Constituição diz  que o Primeiro Ministro é que escolhe os seus Ministros certo?
Mas não lhe impõe nenhum critério, certo?
Se o critério de escolha cabe só, e só, ao Primeiro Ministro, então este pode escolher quem bem entender, com o critério que bem entender, certo?
Se lhe apetecer vai ao Circo escolher os palhaços, o anão e a mulher barbuda.
Se lhe apetecer escolhe o elenco das tertúlias cor de rosa, ou a malta da noite da má língua.
Se lhe apetecer vai a um desfile de moda escolher as modelos que mais lhe agradem, à lá Berlusconi.
Se lhe apetecer coloca lá os seus amigos pessoais ou os membros da sua própria família.
Obviamente todos estes critérios são absurdos e reprováveis, e provavelmente chumbados por todos inclusive pelo seu próprio partido.
Mas...
Se lhe apetecer promove votações para um ranking de competências entre os profissionais das diversas áreas e usa do seu critério de escolha “convidando para ministros os melhores eleitos pelos seus pares nas várias áreas ministeriais”. São eleitos para melhores nas suas áreas, não para Ministros, o PM é que usa como seu critério pessoal o de escolher os melhores em cada área. ;)
Lá porque não está na Constituição Portuguesa não quer dizer que algo não seja possível, só é preciso ter visão para ver para lá do que está escrito e ler o que não está. ;)

Eu acho que o PPP deve-se limitar só a determinados campos de acção (sejam estes alargados ou não) e assim deviam ser todos os partidos, correntes de pensamento politico que participavam na vida politica de forma muito limitada, para mim é errado um partido governar ou executar leis, quem deve fazer isso são pessoas.
Estás a dar-me razão, o que eu disse foi precisamente isso, que o PPP não governava! :)
Quem acabava por governar era um conselho de ministros escolhidos pelo Primeiro Ministro, que escolheria obviamente para cada cargo as melhores mentes nos seus campos específicos (assim votadas como tal pelos seus pares). A única pessoa do PPP, por força da indigitação do Presidente da Republica seria mesmo o Primeiro Ministro que não faria outra coisa senão coordenar os outros de modo a que a a máquina estivesse oleada e a funcionar.

Mesmo que o PPP assuma que quer governar os portugueses o PPP nunca vai governar os portugueses ao dizermos que queremos fazer parte do governo estamos a mentir com todos os dentes, e ou estamos a mentir a nós próprios ou estamos a mentir a toda uma nação.
Repara que dizer que se quer governar é diferente de assumir que se arranja uma solução de governo se nos cair nos ombros algum dia essa responsabilidade.
Ninguém está a dizer que quer governar, ninguém esta a mentir a ninguém, mas também é bom que ninguém seja irresponsável ao furtar-se às responsabilidades caso estas lhe caiam em cima. Esta solução que tem muito que amadurecer é apenas um exemplo para um compromisso de responsabilidade na premissa de que não desejamos o governo mas não o abandonaremos ao deus dará se a responsabilidade cair sobre nós. Se dissermos às pessoas que não queremos governar e como tal se formos indigitados para isso mandamos o presidente dar uma volta e escolher o segundo mais votado é logo o primeiro passo para NINGUEM nos levar a sério.

Eu volto a realçar governar para que? Vamos trair a causa pirata e começar a ter programa em tudo e mais alguma coisa, é que este assuntos que o nonnu chama de bufete são a razão para existirem partidos piratas.
Já disse que o PPP não vai governar ninguém coisa nenhuma. Muito menos trair qualquer causa que seja. Aliás, nem percebo esse argumento do “trair a causa pirata”. Trair uma causa é fazer o oposto do que a causa defende, algo como proibir a partilha ou atacar a privacidade pessoal. Não percebo como chegaste a essa conclusão, mas o uso de termos e expressões como “trair a causa”, “mentir com todos os dentes...”, “mentir...”, “mentir...” dá-me a entender que isto tocou aí um nervo qualquer e escreveste isto num momento de exaltação ;D

È na minha opinião uma corrente que irá tornar os partidos o que eles realmente são, correntes de pensamento politico, deixando a condução politica as pessoas independentemente do seu partido ser pela liberalização da partilha os governantes não se podem meter nisso, isso é coisa que diz respeito unicamente a Assembleia da Republica o governo executa tudo tudo que a AR legisla.
O problema é que no dia em que existirem 1000 partidos a defender 1000 correntes politicas com as suas causas todas independentes umas das outras e eu só puder votar num ou ser membro de um, vou escolher qual se dos 1000 concordo com as causas de 500 deles?
E se 230 desses partidos conseguirem eleger 1 deputado cada para a AR? Como se faz o que quer que seja se todos só defenderem as suas causas e se borrifarem para o resto? Temos 230 propostas de lei passadas cada uma com 1 voto a favor e 229 abstenções? E não temos governo nenhum para as aplicar já que nenhum deles quer governar, porque só estão interessados em defender as suas causas e não querem assumir responsabilidades em mais nada...
Nessa altura a AR deixa de fazer sentido e o que tem lógica é que exista uma democracia referendária em todas as pessoas no conforto da sua casa, ou na Junta de freguesia ou noutro sitio devidamente autorizado, possa aceder electronicamente à sua área pessoal de votação, consultar os assuntos em aberto e votar neles como lhes apetecer.
De notar também que estes referendos de opinião teriam de estar permanentemente a votação, porque todos os dias morrem pessoas e novas pessoas passam a ter idade para votar e as opiniões sobre os diversos temas vão mudando. Podiam estabelecer-se alertas automáticos que avisassem em caso de uma mudança de maioria nalgum dos temas que obrigasse a agendar uma revisão das leis associadas.
Aí sim os partidos seriam correntes de pensamento politico para esclarecimento das pessoas todas e não só de uns iluminados na AR.

Se quiserem o governo é o órgão responsável pela burocracia do Estado. Imaginem que um governo é do PPP e a AR é do PS e sai uma lei que manda para a cadeia quem saca musicas, por muito que o PPP discorde disso o PPP enquanto estiver no governo tem que executar essa lei, pois a AR que representa a voz do povo determinou que se seguisse aquele caminho.
Primeiro se a AR fosse do PS o governo seria PS a não ser que eles fossem irresponsáveis como advogas que o PPP seja e tivessem essa atitude de não quererem formar governo.
Mas pronto, vamos la usar o exemplo.
O que aconteceria obviamente seria o governo demitir-se, já que isso iria contra os princípios do PPP. E depois quem iria para lá? O 3º partido mais votado? E durava quanto também? E depois ia o 4º? Nem era preciso, passados 6 meses da eleição que tinha elegido um PS irresponsável o Presidente dissolvia a assembleia da Republica e convocava novas eleições, e adivinha lá quantos votos teria o partido irresponsável?
O problema é que deste o exemplo ao contrário, o que vai acontecer se nos furtarmos ás responsabilidades é que o PPP vai ser o PS do teu exemplo e vai à falência politica no dia em que isso acontecer.

Ainda coloco um exemplo irrealista mas no limite para reduzir ao absurdo. Imagina que tanta gente nos achava o supra sumo da democracia que toda a gente votava em nós, ou pelo menos o suficiente para termos os 230 lugares da AR. Como se fazia se o PPP seguisse na ideia de recusar dar uma qualquer solução de governo?
Pura e simplesmente não se fazia governo!
Mas neste exemplo, usando das soluções que expus no meu post tinhas o seguinte cenário:

    Um governo das pessoas para as pessoas, pelas melhores pessoas nas suas áreas.
    Uma AR que votaria as propostas da causa pirata a favor por unanimidade e todas as outras consoante as percentagens obtidas por consulta directa às pessoas em referendo interno do PPP.

Seria o mais próximo de uma democracia directa sem ter de mudar uma palavra na Constituição... É uma utopia, mas demonstra a validade da solução para qualquer numero de deputados desde 1 a 230. Enquanto que a solução do “estou-me nas tintas para o resto” desmorona a partir de uma certa massa critica.

As coisas são assim. O PPP é um conjunto de cidadãos que não concorda com determinados assuntos e quer que estes sejam mudados irá em altura própria defender essas mudanças e caso o povo concorde ira fazer essas mudanças no local próprio.
O PPP também pode ser um  conjunto de cidadãos que acha como deve ser seguido o interesse publico e como se deve concretizar as lei da AR. Qual é o interesse do PPP enquanto aquilo que é andar a meter-se nestes caminhos? Claro que podemos ser como os partidos actuais que se metem em tudo e deixa para segundo lugar a vontade do povo, administrando e legislando consoante a sua doutrina partidária.
Acho que não percebeste o que disse. A única “doutrina partidária” que o PPP tem são as suas causas. E em nenhum lugar disse que “deixa para segundo lugar a vontade do povo”, muito pelo contrário!
É precisamente o oposto! O que disse é que o PPP devia por em primeiro lugar as suas causas assumidas e as vontades do povo!
Ao alhear-se da “vontade do povo” borrifando-se para tudo o que não tiver a ver com a sua causa assumida esta aí sim a deixar “para segundo lugar a vontade do povo”
Imagina isto:
Imagina que tínhamos, vá, uns 3 deputados na Assembleia da Republica, e numa votação sobre o assunto A, do qual sabemos por consulta interna no nosso partido que 100% ou 99% ou uma percentagem bem alta dos nossos membros votaria Sim, e a votação na AR estiver com 114 deputados pelo Não e 113 pelo Sim, o que se deve fazer?

    Resposta 1 - Somos piratas, portanto borrifamos-nos para o resto que não sejam as nossas causas, abstemos-nos e ganha o Não quando os nossos membros desejam o Sim?
    Resposta 2 – Somos piratas mas também levamos em conta as opiniões dos nossos membros no que não são as nossas causas directas e votamos Sim, fazendo o Sim ganhar?

Qual das respostas deixa para 2º lugar a vontade do povo e qual é a que lhe dá voz?

Não é porque não nos apetece mas é porque extravasa os fins do partido e não é fugir a nenhuma responsabilidade em lado algum o partido mais votado tem que governar, o PR é que nomeia o Governo, não são os eleitores que o fazem, já aconteceu 2 vezes partidos menos votados formarem governo e parece que o Cavaco queria fazer igual mas saiu-lhe o tiro pela colatra.
Os fins do partido são defender a causa pirata a 100%, razão sine qua non, e acho que de preferência não amordaçar a opinião dos seus membros e votantes no resto.
Já agora um reparo, não é o PR que nomeia o governo, como dizes nesta frase, é o PR que nomeia o PM, e é o PM que nomeia o Governo, como disseste numa frase lá mais para cima :P
Continuo a achar que escreveste isto num momento de exaltação e além de não teres percebido bem o meu post, talvez por ser muito extenso e provavelmente teres lido à presa, já andavas a trocar-te todo na resposta ;D LOL

Quanto à AR as tuas ideias das coligações podem resultar é uma questão de sermos bons negociantes. Mas o problema não é votar que segundo a constituição basta ter 18 anos para o saber fazer, o problema é legislar que aí só devemos legislar segundo o nosso programa (independentemente de este só se limitar as questões da propriedade intelectual ou ter mais áreas de acção) o programa é um compromisso com o eleitorado que já mais deveria poder ser quebrado sob pena de demissão de quem o fizesse.  A AR também fiscaliza a acção do PR e governo e tem poderes de estabelecer alguns acordos internacionais.
Repara eu não disse que o PPP devia propor o que quer que seja em termos de legislação sem ser no âmbito das suas causas. Aí estamos totalmente de acordo!
O que eu falei foi em como decidir em votações de legislação propostas por outros partidos de um modo que desse valor à vontade do nosso povo e não a passasse para 2º lugar, que é precisamente o que tu dizes que não queres, mas que se nos abstivermos em tudo ou votarmos em coligação sem a sondar (a vontade) corremos o risco de fazer.

O governo tem de ser independente da AR para esta democracia funcionar, por isso é que as maiorias ao contrario do que o PS e PSD pregam não são nada benéficas pois centralizam o poder do Estado durante 4 anos e isso meus amigos nós podemos mudar comprometendo-nos a não fazer parte do órgão meramente administrativo de Portugal. E assim de uma vez por todas cumprir o que já é principio no mundo moderno desde o sec. XVIII a separação de poderes e separar verdadeiramente o poder executivo do legislativo.
E queres uma independência maior do que aquela que proponho, em que os ministros são os melhores nas suas áreas, e provavelmente nenhum será sequer simpatizante do PPP?
A única presença do PPP nesse governo seria o de Primeiro Ministro por indigitação do Presidente da Republica e não faria mais do que manter a ordem e a paz nesse governo em que, por não ser partidário, teria reuniões muito tumultuosas com defesas apaixonadas de cada pasta por parte dos seus detentores. Seria um barco necessitado de um bom capitão para rumar com sucesso, e que melhor capitão que um pirata ;D LOL
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Re: Para que formar um partido?
« Responder #16 em: 17 de Outubro de 2009 às 14:10:46 »
Eu já disse que a tua ideia de nomeação de governo é boa, muito boa. Mas é inconcretizavel é o PM que escolhe o governo e não os profissionais. Para serem os profissionais a escolher teria de se avançar com uma eleição e bem sabes que só se realizam eleições cá para o PR , AR e referendos pontuais era necessário mudar a constituição e permitir que se elege-se o governo também. É que o PM mesmo que queira fazer isso não pode, é o PR que marca as eleições e só tem puderes para essas 3 eleições. Não concordo que sejam só os profissionais a eleger o seu ministério, podiam ser candidatos, mas o povo de forma geral e não por sector profissional deve ter o poder politico nas suas mãos. Eu quero escolher o ministerio da saude e de educação não quero que essas escolhas sejam entregues a uma classe profissional, pois quero usufruir desses serviços e tenho direito a ter uma palavra. Nada contra que os candidatos sejam profissionais desses sectores mas quem os escolhe deve ser o povo universalmente pois é quem recorre a esses serviços.

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Nessa altura a AR deixa de fazer sentido e o que tem lógica é que exista uma democracia referendária em todas as pessoas no conforto da sua casa, ou na Junta de freguesia ou noutro sitio devidamente autorizado, possa aceder electronicamente à sua área pessoal de votação, consultar os assuntos em aberto e votar neles como lhes apetecer.

É precisamente esta mudança que tem de ser feita para que exista uma verdadeira democracia e na minha opinião o partido pirata pode e deve começar a orientar este caminho. Eu não te quero roubar as noites de sono, mas se sofres de insónia aconselho-te a leres Moisey Ostrogorsky talvez o maior cientista político no que se refere a partidos políticos e este senhor defende que "as democracias no futuro iriam deixar de ser partidocratas para serem representativas de movimentos de cidadãos ou grupos de interesses". Claro que eu não digo que o partido pirata deve implementar isto, não. Quem vai implementar isto vão ser as pessoas, pode demorar 10 ou 100 anos, mas este é o caminho natural da democracia, o povo mais tarde ou mais cedo liberta-se e toma a condução politica pelas suas mãos. Isto está longe de significar anarquia como muitos julgam, longe disso. Isto significa que os partidos não mais seriam grupos opressores que brincam com o poder em jogos tropes. Era reduzir os partidos aquilo que eles são, correntes de pensamento e era dar o justo valor as pessoas invés de a instituições. Mas eu volto a frisar isto tão pouco importa que o partido pirata o defenda ou não é inevitável. Claro que podemos e devemos ter uma palavra na nova sociedade e é nesse sentido que eu falo na verdadeira mudança que o partido deve defender.

Vá talvez tenha estado enervado mas não foi pelo teu texto. Como eu digo a tua ideia é um bom principio só que inconcretizavel face à actual constituição, mas esta CRP dia menos dia vai sofrer profundas modificações todos os partidos mais pequenos ou recentes pretendem fazer profundas modificações à CRP e é natural que assim seja. Os nossos textos legais estão desactualizados. A CRP foi escrita em 76 pelo PS(antes de meter o socialismo na gaveta) e PCP, o mundo mudou muito desde de 76, os cidadãos estão mais conscientes que esta democracia não os representa e dia menos dia a CRP vai ter uma profunda modificação. Por exemplo o método de Hondt vai acabar é inevitavel. Mas a constituição nem é o diploma legal mais obsoleto tem bastantes inovações para a altura como por exemplo o artigo 35º. Existem diplomas bem piores o código civil é de 66 feito sob o cunho de Américo Tomás e Oliveira Salazar ou o código comercial de 1888 tempo do reinado de D. Luís dizem as crónicas que foi um bom e popular rei mas mesmo assim o mundo mudou muito até agora.   



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Re: Para que formar um partido?
« Responder #17 em: 17 de Outubro de 2009 às 15:10:54 »
Eu já disse que a tua ideia de nomeação de governo é boa, muito boa. Mas é inconcretizavel é o PM que escolhe o governo e não os profissionais.

Já disse que sei que é o PM que escolhe, mas como referi, ninguém lhe impõe o critério de escolha!
Nada impede o PM de sondar quem bem entende no sentido de escolher, e se ele escolher sondar todos os portugueses nada nem ninguém o pode impedir (concordo contigo que seria melhor expandir a votação a todos os portugueses só mantendo as opções a escolher entre os profissionais das ditas áreas).
A única coisa que não pode ser é uma sondagem oficial no âmbito da Constituição da Republica Portuguesa, mas eu nunca disse que tinha de ser ;)
Por exemplo o que o Sócrates fez esta semana ao ouvir os outros partidos no sentido de poder haver acordos de coligação, se algum tivesse aceite viria com condições de ministros apensas, e nesse sentido, ao se impor um ministro está-se a tirar o direito/dever Constitucional ao PM de ser ele a escolher?
Quando o Paulo Portas foi escolhido para Ministro pelo PSD no âmbito da sua coligação, foi mesmo escolha do PM ou foi imposição de coligação? Claro que foi imposto, mas oficialmente foi uma escolha do PM.
A Constituição não foi rasgada, a Republica não se desmoronou, não caiu nem o Carmo nem a Trindade, porque no fim, o que fica no papel oficial é que o PM escolheu o Ministro XPTO.
Se um PM promover uma tal sondagem não precisa do PR para nada, pode muito bem fazer como entender com os meios que quiser porque não é nada oficial. :)

Quanto a ler, infelizmente não tenho tempo desde há muito :( , mas isso não impede que tenha as minhas ideias e fico contente em saber que são de algum modo parecidas com as de quem é o “maior cientista político no que se refere a partidos políticos“ ;D

Quanto a mudanças, muitas vezes antes de passarem a ser lei têm de ser adoptadas como prática, e com a pratica que propus de certeza que os benefícios da mesma iam ser observados e quiçá mais facilmente transpostos para as leis e Constituição.

Aliás, o PPP  surgiu mesmo para que uma prática comum passe a ser contemplada e protegida por lei. ;D

Para haver mudanças alguém tem de dar o primeiro passo... :)

Xiii, não tinha noção que ainda tínhamos um código comercial de 1888 bolas :o
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